Ame

Agosto de 2010

Ame e tão somente ame. Nada mais.
Ame assim e assado. Embora haja tempo
No passo apressado, ame.

Ame, ata-me, afaga-me e me afogue
no rio do teu amor.

Ame na medida. Sem mais nem menos.
Ame atrevida e sem planos
com muita chuva, por longos anos.

Ame na calma e na pressa,
na cama, na alva, na reza.

Ame por sobremesa e por sobre a mesa.
De alma aberta como me interessa,
nem meça, nem peça, me atravessa
que eu sou portal pro seu amor passar,
pro seu amor parar, se alojar,
me aleijar de tanto amar.

E pra você dançar eu sou o salão, a sapatilha;
eu posso ser a canção, eu sou o baile inteiro,
mas o seu amor primeiro, segundo, terceiro,
sorrateiro na semana inteira, ame à sua maneira.

Ame no tropeço, sem endereço
e eu já sei que nem mereço esse amor;
amor da flor dos seus olhos, dos meus atalhos,
sou planta, sou galho, suba!
Se balance, alcance que o fruto no topo
é qualquer coisa que você deseja.

Ame pela fresta da porta, no fogo da vela,
ame na descrição, nos ritos
e ritmos de cada oração.

Ame com palavras ensaiadas
ou com palavras repetidas.

Ame na falta, na lata, na caça
e ame na cela; amor de telenovela também pode ter.

Ame pela luta e sem medo de perder,
ame se der, ame ceder…
Seja o amor que você quiser amar,
ame com o amor que você quiser ser.

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