Status

Hoje me disseram a seguinte frase: “se escritor é uma questão de  status”!!  Até agora não consegui compreender a extensão desse pensamento, muito menos se ele é bom ou ruim.

Vamos ao significado:

status:

1. condição (de alguém ou de algo) aos olhos do grupo humano em que vive.
2. p.ext. (da acp. 1) posição favorável na sociedade; consideração, prestígio, renome.

Temos duas palavras interessantes condição e prestígio. Qual a condição de um escritor aos olhos do grupo social que pertence? Como a sociedade vê a indivíduo que escreve? Inteligente, diferenciado, vagabundo? Será que o escritor é visto como artista?

Quando falamos de prestígio eu lembro da palavra reconhecimento. Mas em uma sociedade que pouco lê fica um tanto difícil entender que tipo de prestígio pode ter aquele que produz conteúdo. Sobretudo, na era da tecnologia em que é mais fácil esquecer do mundo com um celular à mão.

Desculpem. Ainda não consegui definir esse status.

Cachos

Sem título 1

Por esses dias você disse que sonhou comigo e lembrei eu tive vários sonhos meio malucos. E isso é bem comum para mim. Há certas coisas fantásticas que só fazem sentido na minha cabeça. E há tantas outras coisas que eu entendo, mas que não cabem no espaço que preciso. Você é uma dessas coisas que eu entendo, mas que não cabe no meu tempo diário. Cabe apenas quando eu sonho com você, a diferença é que eu sempre estou acordado quando sonho, talvez por que isso signifique que você está mais perto do que é real pra mim. Mesmo que eu não perceba.

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Gratidão

Tenho aprendido que o meu papel como Poeta/Escritor vai muito além do texto que escrevo. Obviamente sempre desejo passar mensagens quando apresento um poema ou crônica. Sinto-me imensamente realizado quando alguém me sinaliza que as minhas ideias refletiram algo ele sente. É uma mágica transcendente que eu nunca saberei explicar como acontece.

Este ano tem trazido muitos horizontes novos. O livro ”POESIA DE ANUNCIAÇÃO” foi sem dúvida a maior emoção. Sempre levantei algumas bandeiras: que qualquer pessoa é capaz de produzir literatura, que a leitura pode sim nos tirar do mundo, nos fazer viajar por outros tantos mundos e, principalmente, ampliar nossas realizações como ser humano.

Recentemente tenho provado algo muito sublime – ouvir de alguns que a minha influência tem os feito mudar a visão acerca da leitura a da experiência com o livro. Isso é tremendamente gratificante. É como se eu tivesse a certeza da minha missão e do meu lugar no mundo.

Ou

Você não se sente só?

Em uma determinada porção de momentos eu sei lidar com a solidão. E confesso que até gosto dela. Em outros, eu sinto um grito de socorro preso na garganta. É uma espécie de fardo. Meu karma. Ou cruz. Ou dom.

Por que a gente escreve?

A gente escreve por que sente a vida por fora e sente por dentro. A gente escreve para se tornar eterno de alguma forma. A gente escreve para se tornar mais preciso. A gente escreve para se entender, se preencher, para ser menos bicho, para ser um pouco deus; a gente escreve por que precisa. A gente escreve para encontrar a necessidade de ser.

( … )

Quem tem conhecimento completo sobre o amor? Ninguém. Ama-se de várias formas, por indefinidos motivos, por inúmeras necessidades. E deixa-se de amar tão rápido com ama-se novamente.

Sutilmente

Por que às vezes a gente dá pista de como está e espera que alguém nos alcance. Outras vezes a gente quer estar longe e espera que ninguém nos encontre. E tem dias que a gente quer, outros não. Na maioria das vezes a gente não sabe querer.

Me mostra tua cor

De vez em quando a gente precisa falar do que sente; nem sempre sabemos o quê, ou como, dizer. Nestas as horas alguém escreve um poema ou entoa uma canção que fala por nós. Não serei desleal, mas não deixarei de lutar … por mais contraditório que seja.






Meu lugar

Caminhar sem saber por onde. Ou saber e não caminhar. Na verdade, a vida é cheia de descaminhos. E cada escolha certa implica em abrir mão de milhões de escolhas erradas. Sair do lugar de conforto. Ir de um ponto a outro. Reencontrar-se, no trajeto ou no ponto final.

O motivo pra se acreditar

Desenhar a esperança em meio ao caos, descobrir meus valores em meio a tantas dúvidas, alcançar meus sonhos esquecidos, ler minhas promessas anotadas, direcionar meus passos, verter tudo isso em realidade. Sussurrar ao mundo que eu não preciso de tanto para ser feliz! E que eu ainda acredito nele e em mim.

Processo criativo

O meu processo criativo é muito interessante. Quando uma palavra surge na mente, ela traz uma carga de significados e, por si só ela já é completa nesse instante, mas eu vou recortando a palavra, reforçando seus indícios mais fortes, aproximando o termo da intenção do poema. Algumas palavras simplesmente passam semanas flutuando… Enquanto vou agregando a elas outras palavras, ou uma rima, até o momento em que a mente diz: ‘agora’! Daí eu paro onde estiver e escrevo.

Marcas e cicatrizes

Desenho: Roberto Nascimento


Todos nós carregamos marcas e cicatrizes. Físicas ou emocionais essas marcas definem nosso caráter ou imagem. A maioria delas não escolhemos ter, mesmo assim estarão lá por toda a vida. Se com essas as quais não tenho direito de escolha eu vivo e sou feliz (inteiro), por que não ter o direito  escolher àquelas que realmente eu quero carregar? Hoje é meu dia de ritual. Hoje eu me simbolizo. Marco a pele com meu rito de passagem. Eu quero a marca que representa o que sou.

Assim!

Eu realmente não sei se me considero provocativo ou atrevido, confesso não saber muito bem a diferença entre os termos ou o peso de cada significado. O que posso dizer é que eu gosto do confronto. Àquele momento em que a pessoa olha pro lado, aquele movimento querendo molhar os lábios, ou o ar fingido de quem aceita respeitosamente a afronta é o que me alimenta. Não me acho superior a ninguém e, para isso, tenho um aguçado senso autocrítico que me relembra todo santo/diabo dia o quanto sou pobre e asqueroso em meus pensamentos e devaneios. O que eu não dispenso é a chance de ver quem realmente sabe porque crê, quem realmente entende o que deseja, quem realmente domina o que discursa. Sempre que isso acontece eu volto os meus olhos para mim mesmo. Sinto que tenho que me reafirmar ou me sobrepor num ato de sobrevivência – não que o meu pensamento seja o certo, mas, por ser meu tenho que defendê-lo até que me provem que ele não serve.

Dor profunda

Uma dor profunda, um nó na garganta e um aperto no estômago – eu senti depois de ler uma notícia e ver um vídeo onde um jovem homossexual se jogou de uma torre como forma de acabar com o sofrimento de uma vida de rejeição por conta de sua opção sexual. A vida não devia ser assim. A morte não deveria vir como resposta pela falta de compreensão. Todos os valores de humanidade caem na insignificância quando não conseguimos salvar alguém de um destino como esse. Não há lei, religião, ou discurso que me não faça sentir-me um lixo ao ver que pessoas perdem suas vidas por que outras tantas se ocupam em apontar dedos sem estender a mão. Luto diariamente contra todos os meus paradigmas, pois nada é impossível de mudar. Senti algo semelhante ao ouvir a canção ”Zumbi” e imaginar o que nós, brancos, fizemos com o povo negro ao longo da história. Não devia ser assim. Eu não quero viver num mundo assim, não quero contribuir para um mundo como esse. Esse peso eu não pretendo carregar. Qualquer um que vier a mim, eu abraçarei, por que somos todos iguais. Eu não quero ver outros se jogando de torres, de prédios, de pontes; eu não quero ver meus semelhantes sendo cuspidos, espancados ou menosprezados. A cena não sairá tão cedo da minha mente. Pessoas morrem mais rápido sempre que o preconceito reina.


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Tentei amenizar a minha dor ouvindo essa versão de ”Stand by me”. Por favor, me ajudem a acreditar que tudo pode ser diferente!

Da essência

A cada dia que passa me apaixono mais pela Literatura, pela poesia. Não consigo e não posso explicar o quanto ela me preenche. Não tive uma criação direcionada à poesia, embora tenha aprendido o gosto pela leitura observando meu pai lendo, mas penso que a poesia perpassa meu interior. Na verdade, ela ultrapassa os meus limites e minhas barreiras, meus dogmas e até meus paradigmas. É uma questão de essência. É como eu enxergo o mundo e como me enxergo nele. Certa vez me disseram: ”a sua presença é fazer poesia no mundo”… E eu acreditei nisso.

Timidez

Vivemos sempre os extremos da vida. Aprendemos a ver o mundo pela dicotomia. O que está bom para mim pode não estar para o outro, mas nenhum ponto de vista deixa de ser considerável. Ações são sempre mais importantes que palavras, mas o avesso disso também tem seu poder.

Equilíbrio ou meio termo nem sempre tem seu espaço. Alguns se desnudam no olhar, no toque, ou mesmo no difícil ato de admitir que não consegue. Ali, na hora. Entendimento é renovo!

Mas para o Poeta, a verdadeira nudez está na espontaneidade das suas palavras… Quando elas dizem o que tem que ser dito, o rosto cora e olhar foge … Essa é a sua timidez!

Ponto de vista

O ponto de vista é o que faz toda a diferença! Infelizmente para algumas pessoas parece ser mais atrativa a postura crítica fundamentada nos próprios achismos. É dessa forma que se estabelecem os preconceitos e se alimentam o ódio, a discórdia e a falsidade. Não lembro quando e por que, mas houve um momento da minha vida que passei a valorizar todos os lados da moeda. Acredito que isso tenha acontecido depois que passei a exercer funções de líder em algumas esferas da vida. A necessidade de se ter uma visão macro, nos leva ao exercício da ponderação. Temperança é fator importante. Ser líder também é ser conciliador!

As pessoas tem suas motivações e malícias variadas. Sempre depende de como você lida com seus vícios. Alimentando-os ou abdicando deles você não deve ser cruel com os outros. E julgar uma situação olhando apenas para o próprio umbigo é deprimente. Pior ainda, é assumir posturas inadequadas para obter o benefício próprio. Como conseguiremos algo bom praticando o mal? Contraditório não?!

Ajustar o foco e mudar os planos, deixar de ser influenciável e [re]construir uma trajetória com ética e moral, isso ainda vale mais do que qualquer benefício. Dinheiro acaba, reputação fica pra sempre!

Quero!

Quero ter e ler todos os livros do mundo. Quero beber todos os porres do mundo. Quero conhecer todos os lugares do mundo. Quero amar todas as mulheres do mundo. Quero fazer todos os poemas do mundo.

Não ainda

É possível viver sem expectativas? Sem esperar por alguma coisa? Aquele que somente recebe o que a vida lhe traz não passa pela frustração de não alcançar, não sente a dor de não conseguir, não lamenta o não ter. Vive um não imutável.Por outro lado, aquele que vive as suas expectativas está refugiado na busca de seus sonhos. Para quem expecta cada não significa um ”não ainda”…

Eu mereço?


Tenho tido dias difíceis, como qualquer mortal, muita angústia, dor, saudade, desapego…

E acontece de vir aquele sopro inesperado que te alça de volta pros ares… Hoje eu recebi um e-mail da minha professora de Literatura Portuguesa, Tânia Lima, que entre outras coisas, dizia:

”… Acreditar em um mundo melhor sempre esteve na maleta de sonhos. Sempre vi qualquer trabalho como digno, o importante é não desfocar de onde se pretende chegar. E em literatura chegar é sempre um terreno movente, incerto, mas um território sagrado. O amor às palavras é o grande convite que perfaz o caminhar de um escritor. Amar as palavras como se fossem uma pessoa…”

[ … ]

A música que me lava. Cura a alma. Já disse isso aqui no blogue, mas hoje eu quero curar vocês, na verdade, oferecer-lhes um bálsamo.

O segundo sopro veio do Daniel Mateus, esse Boneco de Pano, muito Antiromântico. Ele me trouxe isto:
ABSURDO

Já sei, tentei demais
insisti, e perdi por completo a cabeça
mas de tanto tentar encontrar a razão
Eu sei, enganei demais, pisei
Em quem não merecia
E perdi quem eu não merecia
por ti

agora que eu já não sou
mais aquele rapaz que você encostou
os seus lábios em paz
já não vejo razão,
para ficar

Agora que o tempo passou
e as pedras rolaram
você vem me falar
me pedir um abraço,
pra quem sabe talvez
eu possa te salvar

Mas não é fácil
Dormir com tudo
e acordar no completo vazio
sem ter nada nas mãos
pra sequer apalpar

Mas não é fácil
chega a ser absurdo
que o nosso carinho
se resuma em se olhar
e dizer “bom dia”.

[ … ]

Para você ouvir.

E, então, para completar o meu ritual, passei aqui para nunca me esquecer que “Milagres acontecem quando a gente vai à luta!”

Acho que no fundo, só preciso me reaproximar da minha essência.

Espelho meu!


”Porque a beleza é insuportável. Ela desespera-nos, eternidade de um minuto que desejaríamos prolongar pelo tempo afora.”

Alberto Camus


Há alguns dias atrás eu cortei meus cabelos e apenas aparei a barba. Ela já estava grandinha há várias semanas, aliás, já uso esse stile há muito tempo. O novo dessa vez foi que, com o corte do cabelo, meus colegas de trabalho, em sua maioria repararam na barba!

Me senti uma ilusão de ótica!

Passou pela cabeça o pensamento de que as pessoas não notam umas as outras, somente quando lhes convém. Talvez o frenesi da vida não deixe tempo livre para a contemplação e nós, já não saibamos reparar a beleza. Não falo da beleza como padrão estético, mas do belo que é comum a qualquer ser humano, que já é perfeição pelo simples fato de estar vivo.

Ser poeta é ser um pouco deus.



{ … No princípio era o verbo… }

Tenho milhares de dúvidas na vida, mas das poucas certezas que carrego, uma delas é poder dizer que eu sou poeta. E essa constante definiu quase que a totalidade das minhas experiências.

Por diversas vezes, já falei sobre o que é ser poeta e penso que este paradigma nunca será plenamente explorado. Podemos dizer que os próprios poetas se encarregam de manter esse dilema em voga, uma vez que a maioria de nós sempre busca escrever sobre o ato de escrever poemas – talvez essa seja uma forma de justificar nossa existência ou reafirmar nossa importância.

Temos um enorme desafio, poetas: não deixar que a praticidade tecnológica, o corre-corre da vida moderna, a velocidade da era informacional e tantos outros fatores cotidianos roubem de nós a sensibilidade, a vocação ou o toque que nós define como diferentes dos humanos comuns.

Ser poeta é ser um pouco deus.

De casa

… é na madrugada, quando todos se recolhem que me deparo frente as telas, imagens, fotos passadas, lembranças do dia que acaba de ir e com as expectativas do dia que chega. penso em tudo que venho fazendo, optando, escolhendo, provando e deixando de lado. há coisas que não fazem o menor sentido, mas me livro da vaidade e apenas vou com o ritmo – canção, cantiga, ou qualquer som que me deixe desnorteado, por que há tempos abortei de um caminho. e havia tantas razões, aprendidas desde a infância, para que eu negasse qualquer atalho, sabor ou prazer momentâneo e vazio, mas seja lá o que for esse ‘quê‘ sem fundamento, ele já é plano de fundo para uma estória que eu tenho vivido. eu não me reconheço mais. nem me compreendo. eu e essa sala vazia dentro de mim. eu e este desconcerto. bastaria-me uma prece sincera, mas ainda não a tenho. choro com saudades de um outro de mim. e choro pelo desejo de reencontrar os rostos ‘de casa‘, a cama com o colchão nem tão mole nem tão duro, a cadela preta que não esquece meu cheiro, o templo amigo e os amigos do templo. haverá tempo assim? haverá de novo apenas por já ter havido? (…) não sei.

Pequeno desabafo no meio da tarde


Me considero um sonhador. Sou poeta. Sou artista e escritor. Mesmo fugindo das definições pelo fato delas nos aprisionarem dentro de conceitos, eu sei bem o que sou.

Falo isso, por que julgo que não somos apenas a casca, a embalagem. Não! Há muito mais dentro de nós. Dentro da gente existem monstros e cavaleiros, princesas e bruxas, poetas e bêbados, silêncio e música, somos um monte de coisas e somos coisas aos montes.

Separações, descobertas, incoerências, decepções e conquistas – a vida é cheia disso. Certos acontecimentos a gente não prevê, outros a gente planta. Vida.

Eu vivo feliz com aquilo que sou, sabia? Será que você também? Mas eu não me satisfaço com o que sou. E você, hein? Aonde eu quero chegar com esse desabafo?

Quero apenas dizer-lhe que podemos dar mais de nós mesmo. Podemos nos mostrar mais ao mundo. Por que não? Por acaso, somos apenas monstro, bruxa, bêbado e silêncio?

Eu querendo ser mais. Ser melhor para mim e para o mundo. É um risco. Ainda não sei como farei isso. Mas vou tentar.

No ar

Saudações!!!

Crônicas de Afeto será o espaço para expor meus textos, crônicas e contos afetivos.

Há muito tempo venho escrevendo e já estava mais do que na hora de por estas produções em um espaço reservado.

Espero que você goste e sempre esteja por aqui.

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