Devoção

28 DEVOÇÃO

Já admirei a lua, adorei o sol
vi amor no mar,
enamorei as flores

A minha devoção agora é
de um pássaro.
De todas as metáforas é a
que me parece mais
adequada.

Sempre sonhei que voava,
agora sei como é.

Amo tudo que me conecta,
me captura,
tudo que cresce organicamente
no solo da minha natureza.

Eu amo tudo que sinto:
você.

Conta-gotas

25 CONTA-GOTAS

Não me ofereça o seu amor somente na idealização.
Não me embriague com o teu cheiro somente na minha ânsia.
Não me beije a boca apenas nos meus desejos.
Não me tome em seu olhar somente dentro dessa lembrança.
Não tente me nutrir com um amor de conta-gotas,
porque eu sei que você é um mar inteiro.

..

Cirandinha

23 CIRANDINHA

Ciranda, cirandinha
vamos parar pra pensar,
pouco amor ou pouca boca,
volta e meia? Não vai dar.

( … )

O convite que fizestes,
era vidro e se quebrou?
O ardor que tu me tinhas
foi a onda que esfriou?

( … )

Pois no livro da minha vida
não mais entro nessa moda,
pego o verso mais bonito
digo adeus e vou-me embora.

Cântico à minha alegria

CÂNTICO

Devolvam meu sorriso
Depressa!
Pois é dele que preciso.
Eu sou da arte amante,
caçador e amigo.
Porém não faço uma frase
sem alegria.

Tão depressa eu quero fazê-lo,
Se puder pintar, faço pra imortalizá-lo,
e assim sempre observá-lo
na hora do desespero.

Mas se me falta sorrir é por apenas um segundo,
pois minha sede de viver é maior que o mundo.
E se você quiser sorrir: sorria!
Como eu agora me atreveria
a gritar com toda voz que o ‘’mundo todo é muito mundo!’’
E que hoje sou um feliz poeta vagabundo
que voltou a fazer poesia!

Arrancar

Quero arrancar do meu peito toda forma de amor
Quero arrancar cada esperança que se traduz nos
momentos em que estou sozinho.

Eu quero arrancar de mim todo o amor para que ele não se acabe,
para que eu não sinta essa agonia de quando ele se vai,
quando o amor muda de nome, de gestos,
e quando o amor já não tem mais a cara daquela
pessoa que dorme comigo.

Eu quero arrancar de mim todo o amor
e tudo aquilo que se parece com sentimento,
tudo aquilo que faz com que eu só me sinta feliz
se estiver ao lado daquela outra pessoa.

Eu quero arrancar de mim todo tipo de amor
que me faz escrever versos, escrever músicas,
brincar com canções, com palavras,
e a ver profundidade em coisas sem sentido.

Por que toda vez que o amor acontece,
seja da maneira correta,
ou de um jeito inesperado,
eu me perco.

Ame

Agosto de 2010

Ame e tão somente ame. Nada mais.
Ame assim e assado. Embora haja tempo
No passo apressado, ame.

Ame, ata-me, afaga-me e me afogue
no rio do teu amor.

Ame na medida. Sem mais nem menos.
Ame atrevida e sem planos
com muita chuva, por longos anos.

Ame na calma e na pressa,
na cama, na alva, na reza.

Ame por sobremesa e por sobre a mesa.
De alma aberta como me interessa,
nem meça, nem peça, me atravessa
que eu sou portal pro seu amor passar,
pro seu amor parar, se alojar,
me aleijar de tanto amar.

E pra você dançar eu sou o salão, a sapatilha;
eu posso ser a canção, eu sou o baile inteiro,
mas o seu amor primeiro, segundo, terceiro,
sorrateiro na semana inteira, ame à sua maneira.

Ame no tropeço, sem endereço
e eu já sei que nem mereço esse amor;
amor da flor dos seus olhos, dos meus atalhos,
sou planta, sou galho, suba!
Se balance, alcance que o fruto no topo
é qualquer coisa que você deseja.

Ame pela fresta da porta, no fogo da vela,
ame na descrição, nos ritos
e ritmos de cada oração.

Ame com palavras ensaiadas
ou com palavras repetidas.

Ame na falta, na lata, na caça
e ame na cela; amor de telenovela também pode ter.

Ame pela luta e sem medo de perder,
ame se der, ame ceder…
Seja o amor que você quiser amar,
ame com o amor que você quiser ser.

Cárcere

A saudade prende um ser a outro ser por ele querido;
prende de um modo que os seres sentem-se, de fato, perdidos;
mesmo estando sem rumo e por demais perturbados,
é possível sentirem-se próximos estando ainda afastados.

Pois a saudade é sentimento no peito guardado,
pássaro azul no quintal, engaiolado;
é vinho de festa por demais fermentado.
A saudade é também um cárcere.

..

As chaves

As chaves

Para com essa porra de bagunça aqui.
Porque pegou as chaves?
Você fez cópias?
Não permiti que fizesse.
Ou arrombou a porta?

A porta, que porta?
Nunca houve.
Eu abri.

Dei com a cara no chão
quando passou a estranheza
e não houve mais receio
de cobrar,
de irritar,
de xingar,
de ferir,
de ameaçar,
de chantagear,
de bater,
de espancar,
de matar.

 

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ÚTERO

Se eu tivesse um útero,
diria, com toda certeza que de lá
eu tiraria as minhas palavras.

Porque toda palavra é concebida nas entranhas.
É no espaço que cabe o começo da vida
que se começa a engravidar dos versos.

Se eu tivesse um útero,
moraria nele a minha lucidez.

Eu saberia que apalavra nasce
para ser alimentada pelo cordão
umbilical da necessidade.

Se eu tivesse um útero,
toda palavra seria gentil,
seria derivada da luz,
sem sombra de dúvidas.

Se eu tivesse um útero,
seria um homem inteiramente
mulher de palavra.

ODISSEIA

1.
mais que uma bactéria

2.
festa de aniversário
sem saber o que é

3.
passando de braço em
braço.
sou pulseira?

4.
minha avó é a melhor
coisa do mundo

5.
colecionador de sementes
vermelhas

6.
lagartixa boa é lagartixa
morta e enterrada

7.
kinder ovo.

8.
ranger branco é melhor
que o vermelho.

9.
já sei beijar de língua
quero filhos.

10.
tenho quase certeza
que eu sou estranho.
minhas entranhas
são gramaticais.

11.
tudo passa.


este poema continua, verso a verso, ano a ano, até o fim da viagem e retorno ao cais.

Oráculos

Falam em nome do Santo
e falam mal de todos os santos.

Amam em nome do Pai,
odeiam se os pais forem dois.

Abrem as portas dos templos,
engolem a tranca do preconceito.

Seus versículos são escudos
e estilhaço contra outras possibilidades.

É pecado duvidar.
Mas o céu está cheio de perguntas.
Deus não se ofende
com elas.

Pedem milagres, agradecem milagres,
pedem mais.
Ainda é pão e circo.
(com vinho).

Cantam seus hinos proféticos,
calam as bocas do mundo.
caçam as músicas do mundo.

Esperam pelo melhor.
Esquecem o passado debaixo do braço.

Um fé que é sempre depois.

Marchai povo escolhido!
Pregai a palavra de (a)deus.

TAMBOR

Quando os tambores tocaram
eu estava no meio da roda
suado, girando entre almas e notas.

Meu tambor de guerra,
passos pesados pra marchar,
outro tambor rugia dentro do peito.

Emigravam de mim gestos,
risos, giros, saltos …
Rotas variadas para chegar noutro lugar,
e assim, conhecer outro eu:
tambor novo.

Apresentação


Sou um jovem poeta
Que gosta de viver a vida,
Apenas de forma discreta
Como ela tem de ser vivida.

Pouco a pouco descobri meu talento
Como uma criança, nele cresci,
E as poesias que tomaram meu tempo
São pra te mostrar o que já vivi.

Ao ler minhas poesias não se assuste
Tente entendê-las com o coração,
Pois entendo, serás hospede ilustre
Da minha vida chamada “mansão”.

Se não gostar de minhas poesias
Não se precipite em jogá-las no chão,
Quem sabe qualquer dia
Elas digam o que quer dizer seu coração.

Se ao ler der vontade de chorar,
Ou até se quiseres sorrir,
Depois não venha me culpar
Isso só cabe a você decidir.

Nesse rito relato o meu dia-a-dia
Meus amores, opiniões, meus problemas,
Conto minha vida em forma de poesia
Pra viveres a tua em poema.

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