Vaidade





A vaidade é um desencanto disfarçado de prioridade. Cultivamos a ilusão da beleza, a prepotência do orgulho, a presunção da certeza apenas pela massagem do ego. Há um egoísmo doentio quando a vaidade toma o controle do ser humano. O indivíduo não enxerga mais nada, não precisa de nada nem de ninguém – vira um deus ensimesmado.

Vaidade” é um poema que alerta sobre o perigo do espelho. O culto a si mesmo é no fundo um sinal da falta de crença no coletivo. O vaidoso é um fanático por suas qualidades e um ateu para os seus defeitos. Esse ciclo vicioso só pode ser quebrado quando o indivíduo assume a beleza de ser diferente sem a tolice de querer ser o maior.





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Putaria




O prazer é uma indústria de pernas abertas. Pessoas são objetificadas sem o mínimo pudor. Não há espaço para a troca. Tudo é precoce. Até a ejaculação às vezes. Mas a satisfação mútua é diferente do gozo. Aqui é pagou – levou! Todo mundo mete, mas ninguém se percebe. A puta também é uma pessoa.
PUTARIA” é um poema que lembra que toda entrega tem o seu preço. Seja aquele que come ou aquele que alimenta todos tem que abrir mão de algo. Dinheiro, orgulho, vergonha ou intimidade são as moedas de troca por minutos de prazer. Só não é possível mensurar o valor ou saber quem realmente goza no final.


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Poemar



O ser humano inspira e expira oxigênio para se manter vivo. É um processo orgânico contínuo de troca com o meio ambiente. O ser poético também vive um processo do qual sua vida depende. O poeta inala e exala tudo que vê, tudo que ouve, tudo que sente ao seu redor. É desse processo que ele extrai a energia para se manter vivo!

”POEMAR” é um poema sopra palavras internas. A poesia está em todo o lugar, só não vê que não quer. A percepção está atrelada ao fôlego. Quem aspira beleza exala beleza. É um ciclo para além da vida. É por isso que sem inspiração o ser poético morre. E essa morte é a pior de todas – por asfixia.


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Palavras vistas (ou não)

Compreendida ou não, toda palavra é tácita em si mesma. Ela diz aquilo para qual está posta, mas carrega incontáveis significados. A palavra por ela mesma será sempre a casca. Machuca mais o motivo de um tapa na cara do que a intensidade da dor.
“PALAVRAS VISTAS (OU NÃO)” é um poema que nos lembra que as palavras cortam e remediam. Esquecendo o exagero de quem fala ou a frieza de quem ouve, a palavra sempre nos cobrará a outra face.
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O quê?




O jogo da vida é sempre feito de perguntas. Nascemos destinados a encontrar o porquê das coisas. O tabuleiro é cheio de peças e sempre buscamos adivinhar a melhor jogada. Ao respondermos uma pergunta partimos para próxima.  As interrogações têm sempre relação umas com as outras.

”O QUÊ?” é um poema que nos lembra que o jogo tem que ser jogado. Deixar que as coisas simplesmente aconteçam não convém. Criamos a estratégia a partir de um punhado de possibilidades – todas submetidas a um mesmo destino, congruentes de um mesmo mundo, mas inteiramente novo a medida que nos permitimos não saber.


Má temática

Todo cálculo é gélido demais para definir uma imensidão de possibilidades. Por isso amo as letras. não importa a quantidade, com as palavras você sempre pode ir além. E mesmo assim nunca será demais.

”MÁ TEMÁTICA” é um poema quem nos lembra que toda busca tem sua expressão. Toda explicação da verdade pressupõe infinitas negações de inverdades. O problema não é somar. A raiz do problema é entender-se.

Heterogeneidade




A mistura mais homogênea é aquela que vem com o que nos preenche. Não importa a cor, o credo, a opção sexual, quando se ama não há pré-requisito.

”HETEROGENEIDADE” é um poema que nos lembra que a escolha nos leva à lealdade. Amamos a quem conhecemos. A métrica da paixão é o encaixe. Amar é se encher dos líquidos do outro.



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HD

 
 
 
 
Quem conhece um pouco da linguagem HTML sabe que uma letra fora do lugar gera sérios problemas. Tudo fica fora do padrão quando não há a métrica do código.

”HD” é um poema que dialoga com a sabedoria do pedir. Para além do ”que não chora não mama”, quem não compreende a linguagem do outro não consegue amar por inteiro. O amor não tem versão nem manual. Amar não é um programa. 




🙂

Como falam os homens

Um homem fala em média 7 mil palavras por dia, enquanto uma mulher fala em torno de 20 mil. Todo homem detesta discutir a relação por que não suporta falar sobre suas emoções. Os homens foram adestrados para inibir qualquer sentimento apenas pela hipótese de parecer menos másculo.

COMO FALAM OS HOMENS” é um poema que mostra que Eles deviam aprender mais com as mulheres… Mas talvez, essas 13 mil palavras a menos sejam justamente a salvação da relação!

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Amarrações


Amar pressupõe sentir e demonstrar. Apegados às palavras esquecemos que as atitudes é que são sinais concretos e ”palpáveis” do amor.

”AMARRAÇÕES” é um poema que nos lembra que o compromisso que constrói uma vida a dois é a ação. Constantemente é preciso agir o amor e não apenas sentir o amor.

8

Não há mística alguma na chegada de um mês. É apenas a passagem pragmática do tempo. ”8” é um poema concreto que lembra que assim como dois círculos acorrentados formam um número, os meses formam uma corrente de 12 círculos e que Agosto não é o mês do desgosto, mas um mês como qualquer outro.


Poesia concreta


Há algum tempo venho postando meus poemas concretos aqui no blog. Tudo isso, como parte de uma pesquisa (nada muito científico) que venho fazendo à medida que conheço o mundo do concretismo.
Então resolvi fazer um post sobre o tema.

O site Wikipédia apresenta estas informações acerca do surgimento da Poesia Concreta: ”Na história da Literatura brasileira, a Poesia Concreta foi criada por autores como Décio Pignatari, Haroldo de Campos e Augusto de Campos com o objetivo de mudança, visando um novo tipo de expressão, baseada em princípios experimentalistas.”

O blog Árvores dos poemas, acrescenta: “A Poesia Concreta nasceu nos anos 50 com o Grupo Noigandres formado por Décio Pignatari e os irmãos Campos, Augusto e Haroldo. Foi lançada oficialmente em 1956 na Exposição Nacional de Arte ConcretaA poesia Concreta influenciou artistas como Lenora de Barros, Caetano Veloso em fase Tropicália, Arnaldo Antunes entre outros artistas.”

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Ainda estou dando os primeiros passos no concretismo, mas tenho me maravilhado com esse estilo cada vez. A poesia concreta possibilita um alcance diferenciado para a mensagem implícita no texto, permitindo uma relação expoente entre a palavra e a imagem, criando a hiperimagem.

“Quando uma imagem deixa de ser apenas uma ilustração qualquer e expressa uma sensibilidade, passa a ser chamada de Hiperimagem. Esta, consegue nos tocar antes mesmo de ser compreendida na sua totalidade e nos chama a atenção para o que ainda está por vir, além de exigir uma reflexão.”

A poesia concreta valoriza a palavra como um signo, quase que um símbolo e confere a ela facetas variadas no seu entendimento, que estão ligados diretamente a signicação que o leitor aplica sobre a imagem criada. É um ato instatâneo – ver/ler + aplicação de significado.

Na pequena explicação sobre o concretismo o Wikipédia ainda aponta: ”A Poesia Concreta vê importância no espaço gráfico-visual e valoriza os elementos constitutivos da palavra. A função poética está centrada na mensagem. Caracteriza-se pela seleção vocabular na sua elaboração. O principal traço de função poética é o emprego das palavras em sentido conotativo. Qüinqüídio!”

Achei ainda no site Mundo Educação algo sobre os atributos da Poesia Concreta, seriam eles:

– a eliminação do verso;
– o aproveitamento do espaço em branco da página para disposição das palavras;
– a exploração dos aspectos sonoros, visuais e semânticos dos vocábulos;
– o uso de neologismos e termos estrangeiros;
– decomposição das palavras;
– possibilidades de múltiplas leituras.

Vejamos alguns poemas:

Arnaldo Antunes

Haroldo Campos
Essa falta de métrica, essa rebelião da forma, a infinitude de ‘não-formas’ tem me atraído bastante. Não que eu vá me tornar um concretista nato, mas é um campo muito prazeroso para ser explorado.

Pretendo postar mais texto sobre a poesia concreta, até por que ainda tenho muito que aprender dela.

Abaixo, mais um texto de Arnaldo Antunes, que por sinal é genial. Ele brinca com a expressão ”Somos como somos somos cromossomos”. Aqui, ele define nosso ciclo de humanidade sem perder a individualidade expressa no R.

Alguns sites que vale a pena você visitar:

* Haroldo Campos
* Arnaldo Antunes
* Poesia Concreta

Até a próxima.